sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os limites da cantada

Os limites da cantada

A linha que separa um elogio de uma ofensa é tênue. Cruzá-la pode ser motivo de constrangimento e até delito



Foto: Getty Images Ampliar
Nem todo avanço é bem-vindo
Às vezes, os homens exageram no que consideram recursos de sedução. O que eles consideram uma arma para se aproximar da pretendente acaba disparando no pé do galanteador e, mais do que levar um fora, ele deverá lidar com as consequências de uma ofensa - ou até de um delito.

Não existe uma cartilha completa que dite as melhores maneiras de abordar alguém, embora haja o consenso de que algumas cantadas são, infelizmente, desprezíveis. A linha que separa um elogio de uma ofensa pode ser muito tênue e cruzá-la pode ter implicações mais sérias, particularmente se a investida ocorrer no ambiente de trabalho, tendo como suporte a condição hierárquica ou uma posição privilegiada do assediador. Neste caso, trata-se de assédio sexual, e o delito está previsto no Código Penal.
Mas entre o elogio bem-vindo e o crime existe uma gama complexa que passa muitas vezes pelo desrespeito à mulher e pela simples grosseria. “Não configura o crime de assédio uma proposta sexual que não envolva a relação de poder entre as pessoas”, explica a advogada Juliana Perrella. “Poderá ser considerado apenas uma cantada de mau gosto”. Mas o mau gosto pode ofender e humilhar.
É o que torna o caso de Marcelo Mezzomo especial: recentemente, ele foi o primeiro juiz demitido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por ter feito cantadas consideradas impróprias para a funcionária de uma sorveteria. A advogada explica que, tendo uma autoridade constrangido alguém “valendo-se” de sua posição social privilegiada, a situação poderia ser configurada como incontinência de conduta, caracterizada pela insistência em razão da falta de aceitação. “Isso, a depender do caso, pode gerar uma situação desagradável ante um comportamento inoportuno”, diz Juliana.
Elogio é bom, agressividade incomoda
O ex-juiz chegou a afirmar, em sua defesa, que seus avanços seriam considerados “normais” se não fosse sua posição. “Talvez o fato aqui não esteja especificamente ligado ao que é normal, mas, sim, ao que representa aos olhos masculinos”, ressalta a psicóloga e mestre em sexualidade humana, Maria Lúcia Beraldo. “Nesses casos, a cantada não é um recurso de sedução e, sim, uma forma agressiva de demonstrar sua atração sexual.
Sexo e agressividade estão relacionados no mundo animal, e somos animais; contudo, o que fará a diferença será a capacidade do indivíduo conter seus instintos e demonstrar seu interesse da forma que convém, e não da que tem vontade – isso se chama civilização”. Ao se portar como um animal, o homem trata a mulher como outro. “Aqueles avanços que ofendem a integridade moral da mulher, que façam ela se sentir humilhada como pessoa e como cidadã, são inaceitáveis”, pontua Maria Lúcia.
Se toda a aproximação entre um homem e uma mulher tem uma sombra da atração sexual, o problema não está no sexo e nem na atração sexual, mas, na forma como as pessoas se portam diante desse desejo. “O 'outro' é alguém que desejo, mas, antes de tudo, é 'alguém'”, ressalta ela. Pode parecer algo subjetivo demais para ser levado em consideração em uma festa, por exemplo, mas é algo sempre avaliado na hora do cortejo – caso contrário, termos considerados grotescos fariam parte de nosso dia-a-dia.
Limites
“A primeira coisa que um homem precisa entender antes de dar uma cantada em uma mulher é que ele não deve insistir caso leve um fora”, diz a comunicadora Patrícia Weidner sobre os avanços que recebe . “É a cara de tarado do estranho que ofende”. A economista Ana Carolina Hirsh concorda: “As piores cantadas são as que sempre chegam relacionadas a sexo, como 'nossa, você é gostosa', 'mas que delícia', ou coisas deste tipo”.
Mesmo que comentários deste tipo possam ofender, muitas vezes a ideia não é agredir a mulher. A psicóloga Maria Lucia afirma que a intenção pode ser uma autoafirmação do homem enquanto “macho da espécie”, a partir da exposição do desejo sexual. Como se ele estivesse mostrando que tem capacidade de possuir a mulher à força, se assim o desejar - mesmo que não o faça. “Ele pode tanto estar agindo como macho quanto como um sedutor; vai depender da linguagem do seu meio. É importante lembrar que há pouco tempo as garotas dos bailes funks eram definidas como 'cachorras preparadas' e, naquele contexto, a linguagem tem um sentido, mas choca quem está de fora”.
Mesmo que a linguagem corporal ou a roupa possa ser entendida como sinal verde pelo conquistador, avanços exagerados são condenados. “Elas gostam de se sentir desejadas, algumas até baseiam sua autoestima neste atributo, mas não esperam que os homens cheguem a um ponto mais grosseiro. Assim, a dificuldade em administrar a distância está no homem, que interpreta a constituição física da mulher como um sinal de possibilidade sexual”, ressalta Maria Lucia. Quando o homem sente que se tornou refém do desejo, que a mulher tem poder sobre a sua libido, pode, eventualmente, tornar-se mais agressivo e ofender.
É dos espirituosos que elas gostam mais
“As melhores cantadas sempre são seguidas de uma boa risada. Às vezes, você não chega a terminar a noite com o cara, mas rola um papinho, uma amizade”, diz Ana Caroline. “Eu achei uma cantada muito original quando um moço veio me mostrando um amigo dele, chegou e apontou, dizendo 'Você está vendo aquele cara ali? Então, ele quer saber se você quer ficar comigo'”.
De acordo com a psicóloga Maria Lúcia, as mulheres gostam de elogios. Mas percebem quando isso faz parte de um roteiro que o pretendente diz para todas. “Isso é mostrado em pesquisas que apontam que as mulheres preferem homens inteligentes, cultos e espirituosos, isto é, que as façam rir. Com certeza, esta é a forma de sedução que funciona mais”.
Elogios na contramão
Não precisa ser necessariamente paquera: certos elogios podem ofender, independentemente da conotação sexual: “Eu detesto quando falam que agora eu sou simples”, comenta a cantora Amanda Barros, que afirma ter escutado esta frase diversas vezes. “Para mim, parece que a pessoa está dizendo que eu me descuidei a beça, sabe? Sempre vem acompanhado de algum comentário sobre roupa, cabelo, maquiagem...”. Da mesma forma, Patrícia se irrita quando falam que ela “até que está bem para a idade que tem”.
Nestes casos, o que era para causar uma reação positiva acaba se tornando uma situação constrangedora - com o impacto semelhante ao de uma cantada grotesca. Para não deslizar na conversa, vale recorrer à lista que Jonathan Swift, autor de “Viagens de Gulliver” (mas também de “A Conversa Polida”), elaborou ainda no século 18 sobre a arte de bem conversar, em que o pedantismo e a falta de calma na apresentação dos argumentos figuram como pecados mortais das boas maneiras.
“A sedução depende de uma abertura, então, a questão não é a cantada, em si, mas a percepção do contexto”. A dica pode se estender a qualquer tipo de interação, já que a liberdade, de uma forma geral, termina onde a liberdade do outro é respeitada, e a sedução não se limita apenas a conquistas entre sexos opostos, mas, entre pessoas que desejam de alguma maneira conquistar as demais.
Tatiana Gerasimenko, especial para o iG | 22/02/2011 11:40

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Autoestima para dar e vender (mesmo acima do peso)

Autoestima para dar e vender (mesmo acima do peso)

RENATA RODE
Colaboração para UOL
  • Simone Fiuza de bem com a vida e seu "plus
 size" Simone Fiuza de bem com a vida e seu "plus size"
Cá entre nós: a maioria das mulheres vive preocupada com o ponteiro da balança e, muitas vezes, deixa de aproveitar a vida com tanta cobrança para estar sempre linda e desejável. Mas, felizmente, nem todas são assim. Colocando um basta na ditadura da beleza magra, começa a surgir uma tendência no país que busca identidade e respeito para as mulheres reais, as chamadas plus size. Sim, essa especificação abrange moças que vestem do manequim 44 ao 52. E não são poucas. Dados de agosto do ano passado divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que metade da população adulta está acima do peso.

Logo após os principais desfiles de moda terem exibido corpos esguios pelas passarelas de Rio e São Paulo, uma modelo brasileira reconhecida lá fora botou literalmente as mangas de fora. Fluvia Lacerda, 1,72 de altura e dona de um manequim 48 esbravejou: “Enquanto o movimento plus size ganha força no cenário internacional, no Brasil, as mulheres curvilíneas são excluídas dos principais eventos de moda”, reclama a top.

Insegurança x imagem corporal

Para o escritor e psiquiatra Roberto Shinyashiki, a falta de segurança pode afetar a nossa autoimagem. “Tanto para mais quanto para menos, a falta de confiança em si pode alterar não só a imagem corporal, assim como, nossas competências e incompetências”. Ele afirma que o crescimento desse mercado e a busca da mídia por mulheres reais beneficiam a todos, já que as referências passam a ser mais humanas.

A boa forma das celebridades nos atormenta cada dia mais. Um estudo do The Royal College of Midwives, na Inglaterra, revelou que  60% das mulheres pesquisadas se sentem pressionadas quando vêem mães famosas "super magras", poucos dias depois do parto. “Observamos que o desejo de transformar-se numa outra pessoa é quase uma ‘epidemia’ lá fora e, por aqui, a coisa não é diferente”, observa o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Mercado em crescimento

A expectativa da evolução do segmento plus size é grande e fez com que Mariana Gandolfo Varuzzi abandonasse sua carreira no mercado financeiro e criasse uma nova marca: "La Mafê", depois de assistir uma reportagem sobre as dificuldades das mulheres “reais” ou fora dos “ditos padrões de beleza.

A empresária então encomendou uma pesquisa de mercado e comprovou a carência de opções para figurino a partir do manequim 44. Ela criou uma grade que atende do 42 ao 52. “Lançamos nossa primeira coleção no Fashion Weekend Plus Size do ano passado e o retorno foi muito positivo. Recebemos muitos e-mails elogiando e querendo comprar as nossas roupas. Em menos de um ano, já estamos vendendo para várias lojas multimarcas no Brasil inteiro”, comemora.

Outro exemplo de desenvolvimento é o da marca de lingerie Dilady. A grife investe na produção de peças diferenciadas, que vão do número 40 ao 54, com modelagens arrojadas e costura reforçada para maior sustentação. A surpresa é que a produção GG já corresponde a 30% da confecção anual da marca, que pretende ampliar as linhas ainda mais, para esse tipo de público.

Autoestima em alta

Entrevistamos três grandes mulheres que ensinam e contam como fizeram da autoestima uma aliada, já que são modelos profissionais plus size.

UOL Estilo Comportamento - Você sempre foi gordinha?

Simone - Sempre fui a criança gordinha e graciosa, mas o tempo corre e a sociedade passa a tratar essa criança que até então era lindinha com preconceito.

UOL Estilo Comportamento: - Qual sua receita de autoestima?

Simone - Somos além das medidas, o que tenho de bom a oferecer é mais profundo que as curvas do meu corpo é algo que está dentro do meu coração. A autoaceitação é o melhor caminho para o amor próprio. Se aceitem, gostem, se curtam, amem-se acima de tudo!!!

Simone Fiuza, 25 anos, jornalista e modelo. Altura 1,71, peso 90 kilos, usa o manequim 46/48

  • Divulgação Andrea Boschim, tem o manequim 48/50
UOL Estilo Comportamento - Você já teve problemas de relacionamento por causa do peso?

Andrea - Nunca. Conheci meu marido na internet, namoramos por 5 anos e estamos casados há dois.

UOL Estilo Comportamento - O que ele acha de você ser plus?

Andrea - Quando nos conhecemos eu estava iniciando minha carreira como modelo. Ele teve que se acostumar ao assédio das pessoas, teve fases muito ciumentas, mas atualmente entende minha profissão e me incentiva muito!

UOL Estilo Comportamento - Já sofreu alguma situação de preconceito?

Andrea - Nos primeiros  anos de carreira, toda vez que chegava num desfile de moda com modelos magras, ficava horas esperando para ser maquiada e penteada, mesmo se eu tivesse sido a primeira a chegar. As pessoas não estavam acostumadas à ver modelos plus size. Mas sempre lido com estas situações com bom humor!
Andrea Boschim, 33 anos, modelo. Altura 1,70, peso 95 kilos

UOL Estilo Comportamento: Quando começou a sentir que seria um mulherão?
  • Divulgação Amanda Franco, tem o manequim 48
Amanda - Na verdade sempre lutei contra a balança, desde pequena... Na adolescência por incrível que pareça fiquei no meu "peso ideal" (porém nunca fui magra, sempre com muita coxa, peito e bumbum). Aí, na fase adulta voltei a ser um MULHERÃO.

UOL Estilo Comportamento - Qual sua dica de autoestima?

Amanda - Não deixe de ser feliz por que esta acima do peso. Digo: sim: existo dentro do meu corpo e acredito que a DIVA, a toda poderosa esta em mim e existe uma dessa dentro de cada mulher.
Amanda Franco, 24 anos, auxiliar contábil e modelo. Altura 1,65, peso 89 kilos



Fashion, sim!

A personal stylist (e ex-gordinha) Milla Mathias dá sugestões para vestir-se bem, mesmo estando acima do peso. Use e abuse de:

- Listras verticais estreitas;

- Estampas geométricas de tamanho médio em fundo escuro;

- Recortes verticais;

- Decotes em V abertos;

- Tecidos leves e fluidos;

- Calças de corte reto e cintura média

- Calças com fit unissex, quando muito gordinha;

- Camisas, blusas, blazers e jaquetas levemente acinturados;

- Saltos que sustentem bem o corpo;

- Bico de sapato arredondado e comprido;

- Tons médios a escuros;

- Looks monocromáticos ou de tons próximos;

- Alças médias a largas;

- Calcinhas altas;

- Acessórios leves e simples (preferência aos geométricos)

A agressividade do câncer de mama em mulheres jovens

A agressividade do câncer de mama em mulheres jovens

Hormônios e negligência dos sinais justificam quadro mais agressivo




Foto: Tricia Vieira / Fotoarena Ampliar
Ellen Renildes da Silva

Na fase jovem, enganam-se as mulheres que limitam os cuidados com as mamas apenas à estética. A saúde mamária também faz parte do check-up completo feminino e parte da consulta completa com o ginecologista.
O câncer de mama também é componente deste ranking de cuidados e, apesar do governo federal determinar os 55 anos como idade limite para as pacientes começarem a fazer exames de mamografia uma rotina anual, isso não indica que antes desta faixa etária os seios devem ser negligenciados.
Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde endossa essa orientação, mostrando o câncer de mama como a quinta causa de morte mais recorrente entre a população feminina em idade fértil – entre 10 e 45 anos. Mamagorafia não é a única forma de cuidar das mamas.
Uma pesquisa feita pelo Grupo Brasileiro de Estudos para o Câncer de Mama – realizada em 28 centros de oncologia especializados do País – mostrou que a idade média da paciente brasileira com neoplasia mamária é 59 anos. Mas no levantamento ficou comprovado que exatamente 25% dos tumores acometem mulheres antes dos 50 anos, “fase em que a doença tende a ser mais agressiva por causa da influência do estrogênio, hormônio que aparece em maior quantidade em jovens”, explica o mastologista da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Gomes.


Além da composição hormonal da mulher, existe outro fator que explica a agressividade do câncer de mama juvenil, avalia o médico do Hospital Albert Einstein e presidente do Grupo Brasileiro do Câncer de Mama, Sérgio Simon. “Como está segura pela idade, muitas vezes a mulher mais jovem não dá muita bola para um possível indício de doença”, afirma Simon. “E inacreditavelmente os médicos que atendem estas mulheres também negligenciam os sinais, o que contribui para a procura mais tardia da ajuda especializada”, completa.
No Instituto do Câncer do Estado de São Paulo foi registrado um aumento de mulheres jovens atendidas na unidade e atualmente 15% delas têm menos de 45 anos. Nas oficinas terapêuticas oferecidas no local, além de ensinar que é possível preservar a beleza no câncer de mama, os grupos discutem os anseios desta população mais nova que, além da cura da doença, também querem preservar outros quesitos, como a fertilidade. As clínicas de inseminação artificial, inclusive, já trabalham com esta demanda de pacientes. 
Fernanda Aranda, iG São Paulo | 17/01/2011 18:37

Adotar postura “difícil” ajuda na conquista

Adotar postura “difícil” ajuda na conquista

Segundo pesquisa e especialistas, fazer o estilo misterioso deixa homens e mulheres mais interessados

Ligar no dia seguinte, compartilhar sentimentos e rasgar elogios: seria o comportamento ideal masculino para agradar as mulheres? Parece, mas não é bem assim. Uma pesquisa realizada em parceria pelas universidades de Virgínia e Harvard, nos Estados Unidos, mostra que um ar distante ou blasé pode ser mais eficaz para conquistá-las.

Foto: Rede Globo/Divulgação
Big Brother: Maria só pensa em Maurício
Segundo o levantamento, ser correspondida imediatamente deixa as mulheres menos atraídas do que ficar na incerteza. Isso aconteceria porque quando as pessoas se sentem inseguras sobre algo importante, elas dificilmente conseguem pensar em outra coisa. E é esse tempo dedicado a pensar naquele homem que fortalece o interesse e os laços afetivos.

E a vida real parece comprovar as conclusões dos estudiosos. Exemplo disso pode ser notado no reality show Big Brother Brasil, transmitido diariamente pela Rede Globo. Sobre os participantes, desde que o ex-affair Maurício, o Mau Mau, deixou de dar bola para Maria – enigmático, ele se diz “confuso”, a sister não faz outra coisa senão correr atrás do rapaz.
Ainda a respeito da pesquisa, para concluir a tendência pelos pretendentes mais fechados, os pesquisadores consultaram 47 universitárias que acreditavam estar participando de um experimento sobre o uso do Facebook como ferramenta para encontros amorosos. Para parte delas não foi revelado o grau de interesse dos homens que olharam seus perfis – e isso as deixou mais intrigadas por eles.

Eles também preferem as misteriosasSegundo o terapeuta de casal Sergio Savian, a estratégia de fazer o tipo difícil, inacessível e misterioso pode dar certo para despertar o interesse no homem também. “Esse comportamento é atraente para ambos os sexos. A dificuldade em conquistar alguém acaba valorizando o objeto do desejo, enquanto a disponibilidade faz perder o encanto”, avalia.
O psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos, concorda: a mulher que se coloca de forma mais reservada aumenta suas chances de conquista. Ele avalia, porém, que a distância emocional masculina pode ser mais atraente para um tipo específico de mulher, a mais sedutora. “Isso está relacionado com o ego e caráter. Para algumas vira uma conquista pessoal ou um jogo interessante”, aponta. Segundo ele, se ela notar que o homem é mais calado somente em função de uma timidez inicial – e não pela personalidade – é possível que o interesse diminua um pouco.
Não feche as portasAté para “fazer charme” é preciso saber dosar. Se adotar um estilo blasé intriga o sexo oposto, a postura arrogante tende a afastar. Esse comportamento, levado ao extremo, pode inviabilizar as relações, aponta Savian. “A rigidez e o orgulho também podem funcionar como desincentivo à aproximação e ao livre fluxo do amor”, diz. Bez também alerta para a importância de se sentir confortável com a dinâmica relacionamento: “Quando a distância começa a não agradar, pode ser que a relação não progrida”, diz ele.
Júlia Reis, iG São Paulo | 24/02/2011 11:34

Traição é sempre culpa do marido?

Traição é sempre culpa do marido?

Homens e mulheres traem em proporções parecidas. Eles culpam a si mesmos, e elas os culpam também

Nos primeiros capítulos de “Passione”, novela da Rede Globo, a personagem Stela, de Maitê Proença, saía pelas ruas à procura de sexo sem compromisso fora do casamento. No início da história, não havia nenhuma preocupação em tentar explicar ou justificar o fato de a personagem trair o seu marido. Com o passar do tempo, no entanto, cenas em que o companheiro de Stela a ignora, passa longe da intimidade e a trata de forma grosseira ganharam espaço. A trama agora foge da hipótese de uma mulher trair simplesmente porque quer. A culpa, cedo ou tarde, será do homem.
O discurso sobre infidelidade de “Passione” reflete muito do que pensam os brasileiros. Quando a antropóloga Mirian Goldenberg entrevistou 1.279 homens e mulheres de classe média carioca para seu livro “Por que homens e mulheres traem?”, uma coisa ficou clara: quando os homens traem, eles atribuem a infidelidade à questões relacionadas à masculinidade; quando as mulheres traem, elas justificam apontando faltas do parceiro. Ou seja, independentemente de quem trai, a culpa sempre recai sobre o homem.

Foto: Divulgação/TV Globo
A personagem adúltera de "Passione" tem uma relação de pouca intimidade com o marido
“Uma das coisas que descobri nesses vinte anos de pesquisa é que o homem é sempre culpado. Não só porque socialmente e culturalmente ele tem uma legitimização e até incentivo da infidelidade, mas também pelo fato de as mulheres não poderem adotar o discurso da traição pelo desejo. No entanto, elas traem, e bastante, é quase empatado. Em termos de comportamento sexual – iniciação, infidelidade, número de parceiros – homens e mulheres estão muito próximos. Mas isso não se reflete no discurso, que é onde os dois se refugiam, já que a linguagem é uma forma de as pessoas se colocarem no padrão”, diz Mirian.
Para entender melhor, vale a pena ver a lista de motivos apontados pelos entrevistados. Do universo inicial da pesquisa, 60% dos homens e 47% das mulheres disseram que já foram infiéis. O ranking de razões deles começa com “crise no casamento” e “crise pessoal”. A partir daí, seguem mais 50 justificativas, quase todas classificam a traição como uma consequência da masculinidade, por exemplo: “natureza masculina”, “essência masculina”, “genética”, “machismo” e “índole”.

A lista delas é bem diferente. Nenhuma das razões apresentadas pelo público feminino coloca a mulher como causadora da infidelidade. Pelo contrário. O rol é aberto com “insatisfação com o parceiro” e “defeitos do parceiro”, e segue numa variação sobre o mesmo tema, em que chama a atenção uma impressionante sequência de 25 justificativas iniciadas por “falta”: “falta de comunicação”, “falta de romance”, “falta de tesão”, “falta de elogios” e até “falta de tudo”.
“Tem um sofrimento de inadequação dos dois lados, e às vezes o do homem é maior. Se a mulher se sente mal de um lado, de outro eles não têm um discurso de vítima para referência”, explica a antropóloga. “Tem muito homem que não quer trair. Quem quer trair é o poligâmico, mas muitos não são assim”.
O que elas não dizemA cobrança feminina, diz a antropóloga, está diretamente ligada ao que ela chama de “miséria subjetiva” das mulheres brasileiras. Isso significa que, em nossa sociedade, “um bom marido” é visto como definidor do valor da mulher. “O marido é um capital, e você tem que conquistar seu valor sendo ‘única’. O teu valor está sob fiança do fato de você ter ou não um homem. Aqui, se você for bem-sucedida e ganhar milhões, vai ouvir  'ah, mas ela não tem filhos nem marido'", afirma Mirian.
Com toda a expectativa do valor delas nas costas deles, é compreensível que isso acabe em frustração. “As mulheres têm muito esse discurso, como se ela fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Tem uma defasagem e uma fantasia feminina de achar que ela é a coisa mais especial que existe e que aquele cara pode completar todas as faltas. Aí ela pode se frustrar muito rápido. Você não é tão especial assim”, provoca Mirian. "É isso que gera comentários e padrões do tipo 'ai, mas se usar pochete não dá'”.
O que eles não dizemCom ou sem infidelidade, o mais comum é que exista um terceiro elemento na relação: o amigo. O círculo de amizades tem um peso enorme na formação da identidade masculina, inclusive na solidificação de conceitos, como a infidelidade ser ou não parte do homem. A lista de justificativas apresentadas no livro de Mirian está cheia de pistas dessa importância – além dos objetivos “pressão dos amigos” e “competição com os amigos”, os entrevistados do sexo masculino apresentaram uma série de frases feitas para justificar o comportamento extraconjugal, como “não dá para comer arroz com feijão todos os dias” e “a carne é fraca”, típicas de discursos de rodinhas de marmanjos.
Na parte da pesquisa em que a antropóloga pergunta sobre o número de parceiras, 100% dos homens responderam que se julgavam fora da média, ou seja, que tinham tido menos mulheres do que os demais brasileiros. Nenhum entrevistado acha que é normal. Todos têm um “amigo que pegou mais mulher”. Todos.
“Para eles, o amigo é o ponto da comparação, então eles sempre têm um amigo que é melhor que eles. Mesmo o que diz que transou com cem mulheres tem um amigo que diz que transou com 200, e esse tem um que transou com 300”, explica Mirian. Uma curiosidade para quem sempre tem um amigo que transou mais: a média de parceiros ao longo da vida é de doze para os homens e oito para as mulheres.
Por que homens e mulheres traem?Não há uma resposta a essa pergunta. Mas Mirian Goldenberg conseguiu delimitar do que homens e mulheres mais reclamam em seus relacionamentos. A questão sexual, ao contrário do que muitos imaginam, não chega nem perto das maiores razões para a infidelidade. “O sexo está lá embaixo. Se o problema for esse, as pessoas se separaram. Não é por isso que as pessoas traem hoje”, acredita Mirian. Para as mulheres, o principal problema é a falta de intimidade, para os homens, é a falta de compreensão.
“Eles não têm a menor idéia do que elas querem dizer com 'intimidade'. Ela quer ficar remoendo um problema, destrinchando, às vezes por anos. E eles têm aquela relação com os amigos de “vamos beber que passa”. É uma frase feita, mas é também um estilo de amizade diferente da amizade das mulheres. Parece mais simples, mas que funciona muito bem aqui na nossa cultura”, diz a antropóloga.
Atrás de “intimidade e compreensão”, homens e mulheres buscam fora de casa algo que, na opinião da antropóloga, “o casamento parece que destrói e é fundamental nas relações extraconjugais: o tesão de se encontrar”. “O casamento torna as pessoas o seu pior. As pessoas se tornam grosseiras e desagradáveis umas com as outras, engordam, colocam aquela roupinha confortável e larga, o cabelo sujo. Você trabalha até as 7 horas da noite e ainda tem que chegar em casa e trabalhar para ser bom para o outro?”.
Sem o cotidiano e outras características estruturais do casamento, as relações extraconjugais seriam o terreno onde isso nunca acontece. “É tão batalhado estar com aquela pessoa que você vai sempre o seu melhor. O único vínculo é o prazer amoroso. Pra quê eu vou ficar com um amante de cara amarrada? No casamento você encontra mil motivos para ficar”, acredita a antropóloga.
“A solução é ficar atento para esse movimento que destrói o casamento. Cultivar a delicadeza, admiração e respeito um pelo outro. O ideal é cada um lembrar para si mesmo que sempre quis aquela outra pessoa, e que aquela é a vida que sonhou, e que portanto tem que cuidar disso. É muito difícil ter no mundo, uma pessoa que você admira, tem intimidade, respeita, te dá momentos de alegria. Já que é tão raro, tem que cuidar.”
Carina Martins, iG São Paulo | 19/06/2010 07:32,

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bruna Surfistinha dá 5 dicas para arrasar no sexo

http://www.youtube.com/watch?v=_RF0C0zOLWU

Masturbação Também é Assunto de Menina

Exercer a curiosidade com o próprio corpo é uma das maneiras mais saudáveis de se autoconhecer. A publicitária Fernanda Ribeiro se masturba quase que diariamente. Ela começou cedo, aos 6 anos. "Descobri que, durante o banho, o chuveirinho me fazia sentir uma cócega deliciosa. Desde o início, eu achava que era uma coisa que tinha que fazer meio escondida, não queria que meus pais me vissem fazendo aquilo. Hoje percebo que se trata de uma necessidade pura do ser humano, é instintivo, tem uma força incrível", conta Fernanda.
  Muitas mulheres não têm a coragem de admitir o mesmo que ela, que se masturbam, que gostam de experimentar as sensações que a sexualidade proporciona.
   Segundo o psicólogo e pesquisador do IPASEX (Instituto Paulista de Sexualidade), Diego Henrique Viviani, "estamos habituados a ver os meninos serem incentivados à prática masturbatória, enquanto as meninas são incentivadas a não se manipular, repreensão baseada em uma série de mitos e crenças ineficazes à realidade como, por exemplo: "menina de família não deve fazer isso", "vai machucar", "perde o desejo sexual" e mais dezenas deles".
 Os mitos da masturbação
   Ao longo da história da humanidade, muitos mitos surgiram para criar um processo de repressão moral e religiosa da masturbação. Na Idade Média, masturbar-se era considerado um grave ato pagão, chegando a ser punido com a morte na fogueira.
  Ao contrário do que foi dito pelo psicanalista Sigmund Freud, em 1895, a prática masturbatória clitoriana não faz com que a mulher perca a aptidão para o orgasmo vaginal. Para Diego Viviani, "a automanipulação não é prejudicial. Pelo contrário, ela é benéfica, ajuda a pessoa a se conhecer, a entender o mecanismo do seu corpo para obter prazer individualmente e na relação sexual".
Todos nós temos direito ao sexo
  A saúde sexual é considerada um direito humano básico pela WAS (Associação Mundial pela Saúde Sexual). Segundo a Declaração dos Direitos Sexuais, "a sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas, tais como desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor".
  A publicitária Fernanda Ribeiro completa: "Dar prazer ao próprio corpo é uma coisa muito bonita, em minha opinião". Ela acredita que criar essa intimidade pode não ser fácil para algumas pessoas, "por questões sociais e culturais, mas se conhecer e se satisfazer é maravilhoso, e a mim sempre fez muito bem. Nada de culpa".
  O papel de aprender a realizar o prazer não deve ser somente de uma das partes num relacionamento. Guilherme Paes conta que sua namorada nunca tinha atingido o orgasmo com penetração, além de afirmar nunca ter se masturbado. "Ela era mais nova que eu e muito tímida. Queria que ela tivesse tanto prazer quanto eu, então resolvi, literalmente, dar uma mãozinha", brinca. Ele conta que primeiro estimulou-a com o sexo oral, com as mãos e até comprou para ela um vibrador. "Hoje ela não tem problemas para gozar e se vira bem sozinha quando não estou por aqui", diz Guilherme, que trabalha no ramo de hotelaria e viaja freqüentemente.
Use a criatividade!

  O pompoarismo é uma das muitas maneiras de se autoestimular. Para quem ainda não está familiarizado, pompoarismo é uma técnica milenar oriental e consiste na contração voluntária do períneo. Pode ser praticada tanto por mulheres quanto por homens. Nas mulheres, o períneo se encontra entre a vagina e o ânus. Nos homens, entre o saco escrotal e o ânus.
  A prática feminina se dá através do uso bolinhas ligadas por um cordão de náilon, conhecidas também como bolinhas tailandesas ou ben-wa.

  Um dos objetivos do pompoar é fazer com que a mulher tenha um maior domínio do seu corpo durante a relação, atingindo junto ao parceiro o prazer máximo. É uma forma de exploração mútua de prazer. A mulher perde o pudor com o próprio corpo e eleva sua autoestima.
  Além de proporcionar mais prazer à vida sexual de um casal, o pompoarismo também evita problemas de saúde ligados à musculatura da região. A procura pelo ben-wa é crescente, não só por jovens, como também por senhoras idosas. "Elas buscam o ben-wa por recomendação de fisioterapeutas, pois o exercício auxilia nos problemas de incontinência urinária e bexiga baixa".
  Existem atualmente no mercado sexual diversos produtos estimulantes para o prazer feminino e do casal. O número de mulheres que procura por vibradores, brinquedos eróticos, géis térmicos é superior ao número de homens, o preferido entre as clientes de um sex shop é o gel térmico, que "além de facilitar a penetração, [o gel] quando esquenta, estimula ainda mais a relação".
  Os vibradores elétricos e as próteses de silicone também estão entre os favoritos das mulheres. "Hoje em dia, mulher nenhuma tem vergonha de entrar numa Sex Shop e comprar um vibrador, algumas para brincar sozinhas, outras com parceiro ou parceira. Vale tudo".
Procure alternativas
  Fernanda Ribeiro raramente atinge o orgasmo com a penetração, seja com parceiro casual, seja com um namorado. Ao longo do tempo foi aprendendo várias formas de se divertir na cama. "Quando fui morar com o meu namorado, comprei um vibrador pequeno - desses que parecem um batom, para a gente brincar. Aí era bem mais fácil eu conseguir ter um orgasmo. Enquanto ele me penetrava, eu colocava o vibrador no meu clitóris. No fim, desenvolvemos uma forma para eu gozar, mesmo sem o vibrador. Era muito gostoso sentir um prazer tão intenso junto com ele, então comecei a me interessar por isso".

 
Um alerta!
  Para o pesquisador do IPASEX, "a única maneira da masturbação ser prejudicial é no caso de uma compulsão sexual, pois, assim, a automanipulação irá ser usada a todo momento para diminuição de um estado de ansiedade, prejudicando o dia a dia dessa pessoa, atrapalhando em sua rotina e deveres.
  Nesse caso, é necessário procurar ajuda especializada, pois pode ser que essa pessoa se machuque pela prática exacerbada.

Data: 22/8/2009 Crédito: Por Mariana Rezende/ Especial para o Yahoo! Brasil